Queridas Pessoinhas!
Hoje quero compartilhar um pouco sobre a coxoartrose que me sobreveio e que me levou à artroplastia total de quadril (colocação de prótese no quadril). A coxartrose é uma sequela da artrite, no meu caso motivada por uma fratura "tardia" em decorrência de um acidente.
Em 2007, passei a sentir muito a minha perna direita. Trabalhava muito e nem dei atenção à isso. Mas as dores continuavam e aumentavam de intensidade. Achava que era o cansaço. Um dia, ao chegar à casa, quase levei um tombo, pois a dor foi tanta que quase caí. A perna travou. Decidi procurar ajuda médica e já sabia qual seria o prognóstico: artroplastia de quadril.
Fui tratar da cirurgia. Muitos exames, descoberta de que a coluna estava completamente torta. Fui encaminha aos especialistas de coluna que deram o veredito: primeiro a cirurgia de quadril e, após um ano, reavaliação da coluna para uma possível cirurgia.
Bom, após a indicação de uma prótese importada, a qual não era autorizada pelos planos de saúde, e a iminência de uma batalha judicial para consegui-la, decidi procurar o Instituto Nacional de Trumatologia e Ortopedia (INTO) para dirimir dúvidas. Para quem não conhece, o INTO é um lugar de referência nacional em ossos. Portanto, o especialista que me atendesse seria alguém que saberia o que fazer.
Ao chegar ao INTO, fui encaminhada à triagem e o médico ficou algo surpreso ao ver o caso. Já não possuía cartilagem e era muito nova para tanta degradação, como ele mesmo disse. Na intenção de amenizar o clima, perguntou-me o que eu teria feito em outra encarnação, pois o caso era "grave" (SIC), embora ele mesmo dissesse que não acreditava em outras vidas. Disse também que não queria estar na pele do colega especialista em quadril, visto que a cirurgia não seria indicada na minha idade. Ao fim, depois de todo discurso "escatológico e pseudo amenizante", forneceu-me o encaminhamento. Bolas! Era disso que eu precisava!!!
Ao me dirigir ao guichê para marcar a consulta, fui atendida por um rapaz muito simpático, que me disse: "Bom, tem vaga pro Dr. Claudio Feitosa, pode ser?". Disse que sim, que estava bem, e agendou para a segunda-feira próxima. Assim, na segunda-feira seguinte, estava no INTO. Lá pelo fim da tarde fui chamada. Deparei-me com um médico que fazia anotações, cabisbaixo. Era o Dr. Claudio. Pensei: "Ai, mais um, Senhor!". Afinal, minha experiência com ortopedistas não era boa. Ao me ver, cumprimentou-me, bem como à minha mãe. Fez perguntas, e, talvez vendo-me um pouco tensa (desde 1998, a primeira vez que fui ao INTO, era tomada por um pavor terrível; parece até que "sabia" o que iria suceder), começou a brincar, indagando o porquê de não mais ter retornado ao INTO, se havia "fugido para a Índia" (não lembro ao certo o motivo da Índia). Tivera uma impressão totalmente errônea dele, pois revelou-se alguém humano, gentil, sensível, compreendendo a situação. Ficamos mais de uma hora conversando sobre a cirurgia e a vida no pós-cirúrgico. Ele me pôs a par de tudo, tudo, nos mínimos detalhes, como seria a prótese, tendo sido maravilhosamente bem esclarecida. Fui encaminhada para a temida fila de cirurgia. Digo temida, porque é quilométrica! Anos a fio.
Mas o pior estaria por vir. Em julho de 2009 as dores pioraram muito, juntamente com a coluna. Minha perna direita começava a travar e não conseguia mais andar direito. Consequentemente, afastei-me de todas as atividades laborativas. Posteriormente, passei a andar com o auxílio de muletas, as quais aliviavam o peso do corpo. Foram meses e meses de longa espera. Fazia fisioterapia, aliviava, mas logo depois as dores no quadril e na coluna voltavam. O pior: não havia remédio que aliviasse as dores no quadril, dado o grau de deterioração (para vocês terem idéia, os ossos da bacia batiam uns contra os outros sem o "amortecedor" cartilagem).
Mas, gente, o que é de mais amargo é o preconceito e a ignorância das pessoas. Nossa sociedade não sabe lidar com a diferença mesmo! Havia aqueles que me perguntavam se eu tinha força nos braços para escrever, ao que respondia gentilmente: "Sim, bem como tenho força para colocar a 'boca no mundo' contra o preconceito e a ignorância, se necessário". Pois é, gente, é em nome disso que também escrevo nesse blog: tenham sensibilidade para lidar com a diferença, mas nunca preconceito. Pretendo escrever detalhadamente sobre isso, já que é muito sério.
Enfim, foi chegada a hora da cirurgia. Pessoas, é uma sensação de alívio e de apreensão que convivem simultaneamente. Alívio pela possibilidade de fim das dores. Apreensão, porque uma cirurgia é uma cirurgia, ainda mais com a característica de alta complexidade como a artroplastia. Tive que transfusionar dois dias depois! Vou falar sobre essa sensação na próxima mensagem, alertando para a importância de se doar sangue, a qual é uma questão ultra mega importante.
Enfim, hoje estou "engatinhando" na convivência com a prótese. Mas eu quero agradecer em primeiro lugar a Deus e à espiritualidade pelas múltiplas possibilidades que me auxiliaram a descobrir; à família, minha irmã querida Keke (AMO VOCÊ!), mãe (que além de mãe é enfermeira, fisioterapeuta), pai, cunhado, avós, destacando as Peruas Favoritas primas Débora (te amo, Perua!) e Bia (que no seu entender puro me fez sentir "do bem"); Denise, D. Dalva, Deise, amigas de todas as horas e de outras vidas...AMO VOCÊS; tia Su, Vevê, Tetella, tios Nelson e Marlene; primas e amigas Verinha, Lydia, Maria Luiza; Liana e Sr. Pettengil; Noemi, Thalita; aos amigos de todas as horas do CTI (o meu agradecimento sincero, com todo afeto!!!); às "psicos", companheiras de "infortúnio", dividiram tantas dores e alegrias ao longo de tantos anos de labuta; às amigas do serviço social, com quem estabeleci trocentos diálogos diários ao longo de todos esses anos de convívio (vocês sabem o significado de um trabalho interdisciplinar....um luxo na rede pública de saúde!); à turma do Frei Luiz, incansável nessa batalha comigo; ao Dr. Claudio Feitosa, extremamente humano e sensível, fez-me entender que a vida segue o seu curso normal, a despeito das restrições que a prótese impõe; Larissa Jansen, "Fênix sob corpo humano", guerreira, incansável nesse batalha para amenizar o sofrimento daqueles que padecem na fila por um transplante ósseo; a todos, todos (não gosto de colocar as coisas nominalmente, porque a gente sempre esquece alguém, mas se vc se sentiu assim, esquecido, saiba que lhe sou grata tb e que Deus lhe abençoe sempre!).
AMIGOS, MUUUUUUITO GRATAAAAAA!!!
Beijos estalados!!!
Alê