terça-feira, 17 de agosto de 2010

"História de um transplante ósseo" - Larissa Jansen


Oi, Pessoal!


Hoje quero compartilhar algo com vocês. Vale super a pena conferir a leitura de um livro interessantíssimo. Trata-se de "HISTÓRIA DE UM TRANSPLANTE ÓSSEO - NA REAL, DOIS", de autoria da jornalista Larissa Jansen.

O livro retrata o sofrimento de alguém que, em tenra idade, descobre-se portadora de uma doença rara e sem cura, como a artrite idiopática juvenil, doença degenerativa, de causa desconhecida, que provoca febre alta, erupções cutâneas (manchas avermelhadas), dores musculares e no corpo, além de dores e danos graves nas articulações. A evolução da doença levou a autora a iniciar uma via crucis por um transplante ósseo.
Mas a dor, muitas vezes, faz despertar forças inimagináveis. E isso é narrado por Larissa de forma leve e poética, a despeito do trágico da situação (longe de cair no "canto da sereia" do lugar de vitimização, Larissa vivencia a dor com a força de quem ama intensamente a vida e é a protagonista desse processo). Há trechos engraçados, apesar de todo o sofrimento vivido por ela. Além disso, ainda descreve o processo de artroplastias totais de quadril que também passou. Gente, quem tem dor tem pressa, não é? Pois imaginem encarar uma fila, esperar indefinidamente por uma vaga para transplante ou artroplastia, sentindo uma dor tão aguda, tão intensa, que quase nem se pode descrevê-la! Soma-se a isso o país do desperdício, contexto trágico em que essa história ocorre, onde uma doação de órgãos ou de ossos acaba virando caso de polícia.

Não se trata de livro de auto-ajuda, já que isso marca o individualismo na pós-modernidade. Caracteriza-se por uma obra de ajuda-mútua, de alteridade, convocando cada leitor a sair de seu lugar bastante cômodo para arregaçar as mangas e se engajar numa luta em prol da vida. Afinal, há muitas "Larissas" que amargam por espera de vaga de transplante na rede pública de saúde e é impossível não se solidarizar com a dor do outro. Impossível também ler "História de um Transplante" e continuar sentado, contemplando a linha do horizonte. O livro afeta, mas é preciso, antes, deixar-se afetar e criar movimento útil para que essa história não caia numa "compulsão à repetição", como dizia Freud. E ela, Larissa, através de sua bandeira junto a instâncias públicas, como Senado e Ministério da Saúde, já conseguiu uma redução na fila por quem espera um transplante ósseo, graças ao seu empenho. No Brasil, há muitas "Larissas" espalhadas, muito sofrimento em jogo, e é preciso criar ferramentas de luta contra a banalização da dor nessa grande arena da vida.

Ah! Uma coisa não posso deixar de registrar aqui: a relação com a equipe médica. É de extrema importância que tenhamos um diálogo com os profissionais, como ocorreu com Larissa e comigo também. Isso nos dá uma segurança imensa e ajuda a amortecer a dor, que é igualmente imensa...

A mensagem deixada por Larissa é: fé, coragem, resignação, sem passividade! Esperança e espírito de luta sempre!

O site da campanha em prol da doação de ossos é: http://www.transplanteosseo.wordpress.com/. O livro pode ser obtido através do contato com a Livraria Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/ ou com a Ensinamento Editora: http://www.ensinamentoeditora.com.br/


Até breve!


Alê
PS: DOEM SANGUE E AJUDEM ALGUÉM A RENASCER!

domingo, 1 de agosto de 2010

Sobre o tempo...do afeto



Oi, Pessoal!!!


É, estou há algum tempo sem escrever, sem aparecer por esse espaço, que é nosso. Sinto-me plenamente à vontade de compartilhar "as minhas pérolas" com vocês. Uma delas é essa foto, tirada numa viagem pelo interior do Brasil. Bem, não sou uma exímia fotógrafa, mas a imagem chamou a minha atenção e consegui fotografar (nem sei como...porém, de vez em quando, eu acerto).
Outro dia "ensaiei" escrever algo, mas não saiu nada. São dias em que tenho que arrumar os sentimentos, observações e coordená-los com o racional, porque nem sempre o que se sente se coaduna com a razão e acaba ganhando o status de intraduzível, inexprimível. Eu queria entender tantas coisas, tantas, tantas, tantas. Mas algumas delas eu só entendo num movimento de interiorização, tentativa (é só uma tentativa mesmo!) de mergulho na alma. Lembro-me da canção de Chico Buarque, "Futuros Amantes":

"Não se afobe, não/Que nada é pra já/ O amor não tem pressa/Ele pode esperar/ (...) Os escafandristas virão/Explorar sua casa/Seu quarto, suas coisas/Sua alma, desvãos/ Sábios em vão/Tentarão decifrar/O eco de antigas palavras/Fragmentos de cartas, poemas/Mentiras, retratos/Vestígios de estranha civilização".

É como se eu fosse uma escafandrista dentro dessa estranha civilização: o afeto. Acho que hoje a gente perdeu esse movimento, porque o desejo se converteu (aderindo à moda das conversões... muitas vezes histriônicas) num corrida desenfreada pelo ter. Rotineiramente, e eu mesma disse isso "trocentas" vezes, ouço: "Tô sem tempo"; "Vou passar aí rapidinho", "Veja se me fala isso em meio minuto, tá? Tô correndo", "Ia te ligar, mas nem tive tempo!". Pois é, frases como essas (e eu as disse T.O.D.A.S.!) são até blasé, dizemo-las com uma naturalidade impressionante. Naturalizamos a "falta de tempo", a falta de olhar para o outro, a falta de contactar os seus afetos. "Ah!", pensariam alguns", "Mas isso é ridículo! E a sobrevivência, onde fica? Isso é um delírio!". Pois é, a sobrevivência fica ao encargo dos instintos, e os animais sabem muito bem como é isso (embora eles tb conheçam o significado da palavra afeto). O homem pré-histórico sabia que da caça e do predatismo sobrevivia. Agora viver, creio eu, é um conceito historicamente datado; mergulhar nos afetos tem como condição de possibilidade a ascensão da burguesia ao poder e do capitalismo enquanto modo de produção. Pois é, enquanto modo de produção, mas agora ele se tornou um modus vivendi, ditando a estética e a dietética da existência. Estranhamente nos rendemos ao mercado, vivemos por e para ele.

Dia desses, li Zygmunt Bauman, "Tempos Líquidos". Já estudei suas obras algumas vezes, mas sempre com algum propósito acadêmico. Agora foi diferente, li sem a preocupação de ter em mente um objeto circunscrito, despretensiosamente. Esse autor, no título em questão, trabalha a passagem de um Estado de Bem-Estar Social (Welfare State), portanto um Estado sólido, protetor dos direitos do cidadão (aqui no Brasil a gente não conheceu esse Estado, nem de fato nem de direito), para um Estado do Laissez Faire, Laissez Passer ("Estado Deixai Fazer, Deixai Passar"), "Faça Você Mesmo", sem estabelecer uma relação concreta com os cidadãos, sem a proteção garantida outrora. Assim, torna-se um Estado líquido, fugaz, sem corpo, sem órgãos, sem cabeça. Um Estado não relacional, distante e nada protetor. É como se ele, ao invés de encarnar a lei, se afastasse dela. Isso acaba por lançar o cidadão na zona do medo, da insegurança, do desequilíbirio.Lembro-me sempre da metáfora "Em Nome do Pai", na psicanálise lacaniana, onde o sujeito deve passar por essa fase no intuito de instituir a Lei, o interdito sobre o inconsciente, portanto a interdição cultural necessária a todos nós. Ficamos assim, meio "psicotizados", já que esse "Pai" sai de seu lugar e o estado psicótico é assim "inconsciente a ceu aberto", no entender de Jung, sem esse superego freudiano a interditar o "vale tudo". E aí, passamos a estabelecer relações líquidas (ver tb "Amor Líquido", de Bauman, estudo das relações em tempos de ausência). Esse no man´s land para o qual o sujeito é lançado faz com que ele estabeleça uma relação rala com o outro, de ausência de cuidado, vivência de afeto que parece...mas não é. Perdeu-se a capacidade de sentir genuinamente. O outro é visto como uma ameaça em potencial, concorrente no mercado da vida, aquele que irá destruir o trabalho da caça. O ser humano virou um predador, um caçador...porém de si mesmo.

Pois é, por isso venho pensando no tempo do meu afeto. Tempo em que me deixo "afetar pelo afeto". Em tempos de internet, não nos vemos mais, não nos olhamos mais e nos mudamos para o ciberespaço. Quantas vezes olhamos nos olhos de alguém para demonstrar afeto? Temos tempo para tal? "Passo um torpedo". Legal, bacana, ao menos você lembrou, mas isso cria a cultura do distanciamento. Uma tela de computador é uma tela, não os olhos humanos, as mãos, o abraço, o beijo, não é?

Assim, como muito bem cantou Chico Buarque, o afeto torna-se uma "estranha civilização", justamente porque estamos perdendo o timming dos sentimentos. E é isso que estou tentando fazer, não como analista, mas como ser humano, qual seja, reacender os meus afetos, deixar algo mais genuíno fluir dentro da contenção cruel que devemos fazer para sobreviver. Essa é a regra do jogo. E viver ultrapassa em muito a sobrevivência. Não perco a minha singularidade, muito diferente de individualismo, já que a primeira nos fala daquilo que é único em cada um. Individualismo nos reporta ao egoísmo. Essa homogeneização é produzida pelo capitalismo e me recuso a isso! Tenho tempo, sim, para ser feliz, genuína e verdadeiramente!

Concluo com Chico Buarque ("Futuros Amantes"):


"Não se afobe, não/Que nada é pra já/Amores serão sempre amáveis/Futuros amantes, quiçá/Se amarão sem saber/Com o amor que eu um dia/Eu deixei pra você".


Até a próxima!
P.S: DOEM SANGUE! FORMEMOS UMA REDE DE VIDA E SOLIDARIEDADE!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dilatasti cor meum...


Ah! O sacrossanto poder da paciência...eu quero ter! Há dias em que é difícil, é uma batalha íntima. Agora entendo a minha querida Santa Teresa D´Ávila (alguém já leu? Ela é divinamente maga): a melhor coisa, advertia ela, é conhecer o castelo interior. Ah! Como eu queria chegar à sétima morada...total plenitude, comunhão, no stress, o face a face com o divino em mim. Quem sabe eu encontraria lá a paciência? Ali travaríamos um diálogo. E ela me esperaria e diria:


- "Oi! Estou aqui! Você me procura? Entre, fique à vontade, a casa é sua. Aqui tb reside a minha amiga Esperança. Esperança, essa é aquela que tenta lhe cultivar, lembra dela? Querida, essa é a VERDADEIRA Esperança". É claro que eu ficaria surpresa, no melhor estilo "cara de tacho", e diria:


- "Muito prazer! Então é na sétima morada que vocês se escondem? Mas por que se esconder?". Elas responderiam:


-"Não, na verdade não moramos aqui. Permeamos todas as outras moradas da alma. É que somos ofuscadas pelo obscurantismo, pelo racionalismo e, um sem número de vezes, pelo niilismo! Então, é difícil nos ver".


-"Então é preciso ser desarrazoado para vê-las na plenitude?", perguntaria estupefata, quase incrédula.


-"Não, não!". E ririam muito do meu espanto, com aquele riso zombeteiro de quem está por cima da situação:


-"Sabe o que é? Na sétima morada só abrimos a porta para quem conhece a senha: "Dilatasti cor meum, dilatasti cor meum".


Para bater à porta do castelo, dizem elas (e tb Teresa D´Ávila), é preciso orar...melhor, saber orar, porque isso dilata o coração para a verdadeira luz. Ai, ai, Madre querida, ajuda-me a encontrar a minha pedra filosofal? Ajuda-me a transmutá-la em ouro, no mais autêntico processo alquímico? Nem saí da fase nigredo, no entender de Jung. Ah! Tudo seria tão mais fácil se eu atingisse a fase albedo, a sétima morada da alma, alívio imediato, AION, plenitude. Ah! Como eu queria! Mas ai de mim, pobre mortal! Quero fazer parte do Olimpo, junto com Zeus, Apolo, Atenah, Diana, Afrodite...ah! Eu quero voar! Pra bem longe, posso? No melhor estilo "Voyage, Voyage", de Desireless: "Aux dessus des vieux volcans/Glisse des ailes sous les tapis du vent/Voyage, voyage/Eternellement"...ah! Je veux voler toujours...eternellement...et "Vole dans les hauteurs" ! E por falar em voar nas alturas, caí às duras na real. O telefone me chama.


Voltei. Tudo isso não seria o "Sonho de Ícaro"? Ceus! Telefone de novooooo! Voltei de novoooo. Acho que hoje me estenderei até meia-noite. Nãooooo! Telefone de novo! Haja fôlego pra falar tanto!


Continuando. Ah! Não quero acreditar que as minhas asas são de cera e que o sol irá derretê-las, não! Como disseram Cássia Eller e Nando Reis: "Não quero acreditar que vou gastar desse modo a vida/ Olhar pro sol só ver janela e cortina". Quero ver bem mais dessa vida. Quero ver a luz. Então, Madre, ensina-me a encontrar e transformar a minha pedra filosofal e a usar essa chave que abre as portas do castelo para galgar a sétima morada: o AION, o divino em mim. Quero o AION! Ensina-me esse estado de beatitude, ensina-me a volitar, a voar, a plainar e a percorrer os labirintos do self, a encontrar ânima-ânimus, ego, inconsciente pessoal e coletivo, a integrar a sombra e a achar os eixos de personalidade e a tipologia personalística do meu ser, de modo a integrá-los tb. Dilatasti cor meum, dilatasti cor meum, dilatasti cor meum!!!


Paciência, paciência, paciência...esperança, esperança, esperança. Dilatasti cor meum, dilatasti cor meum, dilatasti cor meum!!!



Procedamus in pace, in nomine Christi

Amen!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Pela primeira vez após a cirurgia...


Olá, pessoas que eu amo!!!


Cá estou, amigos, para compartilhar mais uma das minhas "sagas" com vocês. Essa aí acima sou eu, indo ao INTO pela primeira vez após a cirurgia. Estava no aguardo da ambulância vir me buscar (sim, pessoas, tive direito à ambulância para a primeira revisão, pois operei quadril . O INTO é primeiro mundo, ou melhor, usando uma nomenclatura globalizada, é " um país desenvolvido num país em desenvolvimento"!).

Pois é, "gaiatices" à parte, vamos falar dessa expectativa. Digo expectativa, pois sabia que teria algumas liberações. Muito poucas, mas pra quem tem sede de viver, foram muuuuitas as conquistas! Tirei os pontos, algo que me incomodava e me preocupava bastante, já que nesse tipo de cirurgia não se pode ter infecção nem de garganta, ao menos nos primeiros dias. Tudo certo, tudo em paz, retirei-os!!! Ah! Que sensação boa! Gente, ainda por cima, descobri que poderia adaptar uma barra de alumínio (ou inox?) no banheiro e tomar banho de pé! Ah! Indescritível sensação! Há mais de mês tomando banho na cadeira higiênica, sentada, e agora posso ficar um pouco em pé!!! É uma dádiva! Que maravilha é sentir a água batendo no rosto, no corpo, cabeça....amooooooo!!!! Que maravilha viver! São pequenas coisas que ficaram em suspenso e que paulatinamente (ou melhor "tartarugamente") vou retomando. Porém, com extremo cuidado, utilizando ainda o tapete antiderrapante. Mas é importante frisar: TUDO ISSO SOB ORIENTAÇÃO MÉDICA E DE FISIOTERAPEUTAS. Não adianta querer fazer as adaptações per se. Ganhei uma cartilha do INTO específica para artroplastia e lá tenho boa parte das orientações que necessito. E as inseparáveis muletas, né? Creio que daqui a algumas semanas vou treinar com uma só. Por enquanto, uso as duas.

É engraçado, quando você está se recuperando de uma cirurgia desse porte, você começa a perceber que o corpo não lhe pertence de todo. É como se não pudesse "geri-lo" plenamente, necessitando dos cuidados da minha mãe, por exemplo. Preciso de quem me auxilie a pegar um copo de água ou mesmo me ajudar no banho. Mas é preciso humildade e aceitar, porque tudo isso vai passar! E desejo transformar isso numa bandeira de luta pelo convívio com a diferença, seja ela qual for, porque fui prova viva de que a sociedade não sabe lidar com a mesma! Vivi muitos absurdos, os quais sempre respondia à altura (nada de ofensas, mas de mostrar que o ser humano pode se adaptar a tudo, graças à sua pasticidade e à sua força de vontade, acima de tudo!).

Força, coragem e fé, muuuuita fé, porque sem ela é impossível ficar de pé! FORÇA NA PERUCA!!!
Para terminar, um pouco de Mário Quintana, numa das citações que mais gosto: "(...) o mistério está é na tua vida. E é um sonho louco esse nosso mundo".

É isso, queridos! Lembrem-se sempre: DOEM SANGUE E AJUDEM ALGUÉM A RENASCER!
Beijos com afeto!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Doação de sangue


Amigos!


Sim, essa sou eu mesma após a minha transfusão. Eu minha amiga Gabi, companheira de enfermaria.
Tornei-me partidária da campanha: DOEM SANGUE!

Eu mesma necessitei de transfusão e me senti renascer após a mesma. Como descrevi anteriormente, passei por uma artroplastia. Essa cirurgia, por si só, demanda bastante sangue, sobretudo quando é realizada no quadril (meu caso). O banco de sangue "treme" quando tem a ciência que tais cirurgias vão ocorrer. Para se ter uma idéia da gravidade da questão, quando fui me internar, tive que esperar das 9:00 às 16:30, no maior estresse, para que o banco de sangue do INTO informasse se teria estoque para a minha cirurgia ou não. A situação no HEMORIO não era boa, no sentido de que o estoque estava baixo. Consequentemente, os estoques nos hospitais estavam baixos.

Gente, vocês não imaginam o estresse que é. Já não tinha mais posição na cadeira, já havia passado por todos os procedimentos de internação, doida para operar, só consegui ter a liberação às 16:30 (desde às 9:00!!!). Subi cansada e estressada (e já havia levado doadores graças à minha irmã e ao meu cunhado!). Rezei fervorosamente! E Deus e a espiritualidade ouviram e viram o meu desespero! Via pessoas que tinham ido para a internação e foram comunicadas que não haveria sangue suficiente para a cirurgia. Imagina isso acontecer? Agora, imagina isso acontecer com você, meu caríssimo leitor. Se você está sentindo dor quer logo sanar, não é? Agora pense naqueles que estão na fila há meses e anos para terem as suas dores sanadas e chegar na hora retornarem, porque o estoque não dará para as suas cirurgias? Humilhante, não é? Por isso, pessoas, DOEM SANGUE!!!

Sangue salva vidas. Vou relatar a minha própria experiência. No dia seguinte à cirurgia, sentia vertigem ao levantar (porque me levantei logo no primeiro dia, recusando-me a tomar banho no leito! Queria ir ao chuveiro e ao banheiro, ainda que na cadeira higiênica!). Essa experiência vou descrever em outro tópico. Enfim, mais tarde, após o banho, fui empalidecendo cada vez mais (segundo as pessoas eos profissionais). Às 19:oo recebi a ligação de minha prima Débora e mal conseguia falar. Após, recebi a ligação de minha mãe e tb mal conseguia balbuciar algo. Não tinha fome, somente torpor e frio, muito frio. Dormi desde às 19:30 até às 8:00 do dia seguinte. Ao pedir para me levantar não tinha força. Estava, aos olhos dos profissionais, cada vez mais pálida e não tinha veia tamanha era a fraqueza. Meu quadro geral caíra assustadoramente. Enfim, o clínico foi me avaliar e, ao ver o meu hemograma coletado na madrugada, levou um susto: 22 de hematócrito (quando o normal em mulheres é 35)! Foi aí que veio a transfusão. O impressionante é que na metade da primeira bolsa (ele indicou duas, mas pedi para tomar uma e ele reavaliaria se seria necessária a outra) eu havia recobrado a cor (estava uma cera viva) e me sentia mais disposta. Parecia que recobrava a mim mesma e estava mais atenta aos que as pessoas diziam ao meu redor. Sentia-me eu mesma, renascendo, era impressionante! Consegui até comer um pouco!
Antes da transfusão, estava em estado febril e pressão 9X6. Após a primeira bolsa, minha temperatura voltou à 36º e minha P.A. 11X7. Pelo início da manhã, o laboratório coletou novo sangue e os hematócritos subiram "drasticamente". Assim, fui liberada para a alta clínica (estava ansiosíssima, visto que o ortopedista e o fisioterapeuta me deram alta), na condição de continuar tomando o remédio à base de ferro durante três meses. Faço-o "religiosamente" para combater a anemia. Graças ao sangue de alguém abençoado, estou viva para contar essa história para vocês e pedir a cada um: DOE SANGUE! Não custa nada e salva vidas! Basta dirigir-se ao HEMORIO. Mas, antes, entre no site de tal instituição (e veja quais as condições para a doação de sangue. Doar é um ato de amor. Por isso, você que é uma pessoa caridosa e atende aos padrões estabelecidos pelo HEMORIO, doe sangue! É um ato de vida!

A coxartrose, a artroplastia e eu!


Queridas Pessoinhas!




Hoje quero compartilhar um pouco sobre a coxoartrose que me sobreveio e que me levou à artroplastia total de quadril (colocação de prótese no quadril). A coxartrose é uma sequela da artrite, no meu caso motivada por uma fratura "tardia" em decorrência de um acidente.


Em 2007, passei a sentir muito a minha perna direita. Trabalhava muito e nem dei atenção à isso. Mas as dores continuavam e aumentavam de intensidade. Achava que era o cansaço. Um dia, ao chegar à casa, quase levei um tombo, pois a dor foi tanta que quase caí. A perna travou. Decidi procurar ajuda médica e já sabia qual seria o prognóstico: artroplastia de quadril.


Fui tratar da cirurgia. Muitos exames, descoberta de que a coluna estava completamente torta. Fui encaminha aos especialistas de coluna que deram o veredito: primeiro a cirurgia de quadril e, após um ano, reavaliação da coluna para uma possível cirurgia.


Bom, após a indicação de uma prótese importada, a qual não era autorizada pelos planos de saúde, e a iminência de uma batalha judicial para consegui-la, decidi procurar o Instituto Nacional de Trumatologia e Ortopedia (INTO) para dirimir dúvidas. Para quem não conhece, o INTO é um lugar de referência nacional em ossos. Portanto, o especialista que me atendesse seria alguém que saberia o que fazer.


Ao chegar ao INTO, fui encaminhada à triagem e o médico ficou algo surpreso ao ver o caso. Já não possuía cartilagem e era muito nova para tanta degradação, como ele mesmo disse. Na intenção de amenizar o clima, perguntou-me o que eu teria feito em outra encarnação, pois o caso era "grave" (SIC), embora ele mesmo dissesse que não acreditava em outras vidas. Disse também que não queria estar na pele do colega especialista em quadril, visto que a cirurgia não seria indicada na minha idade. Ao fim, depois de todo discurso "escatológico e pseudo amenizante", forneceu-me o encaminhamento. Bolas! Era disso que eu precisava!!!


Ao me dirigir ao guichê para marcar a consulta, fui atendida por um rapaz muito simpático, que me disse: "Bom, tem vaga pro Dr. Claudio Feitosa, pode ser?". Disse que sim, que estava bem, e agendou para a segunda-feira próxima. Assim, na segunda-feira seguinte, estava no INTO. Lá pelo fim da tarde fui chamada. Deparei-me com um médico que fazia anotações, cabisbaixo. Era o Dr. Claudio. Pensei: "Ai, mais um, Senhor!". Afinal, minha experiência com ortopedistas não era boa. Ao me ver, cumprimentou-me, bem como à minha mãe. Fez perguntas, e, talvez vendo-me um pouco tensa (desde 1998, a primeira vez que fui ao INTO, era tomada por um pavor terrível; parece até que "sabia" o que iria suceder), começou a brincar, indagando o porquê de não mais ter retornado ao INTO, se havia "fugido para a Índia" (não lembro ao certo o motivo da Índia). Tivera uma impressão totalmente errônea dele, pois revelou-se alguém humano, gentil, sensível, compreendendo a situação. Ficamos mais de uma hora conversando sobre a cirurgia e a vida no pós-cirúrgico. Ele me pôs a par de tudo, tudo, nos mínimos detalhes, como seria a prótese, tendo sido maravilhosamente bem esclarecida. Fui encaminhada para a temida fila de cirurgia. Digo temida, porque é quilométrica! Anos a fio.


Mas o pior estaria por vir. Em julho de 2009 as dores pioraram muito, juntamente com a coluna. Minha perna direita começava a travar e não conseguia mais andar direito. Consequentemente, afastei-me de todas as atividades laborativas. Posteriormente, passei a andar com o auxílio de muletas, as quais aliviavam o peso do corpo. Foram meses e meses de longa espera. Fazia fisioterapia, aliviava, mas logo depois as dores no quadril e na coluna voltavam. O pior: não havia remédio que aliviasse as dores no quadril, dado o grau de deterioração (para vocês terem idéia, os ossos da bacia batiam uns contra os outros sem o "amortecedor" cartilagem).


Mas, gente, o que é de mais amargo é o preconceito e a ignorância das pessoas. Nossa sociedade não sabe lidar com a diferença mesmo! Havia aqueles que me perguntavam se eu tinha força nos braços para escrever, ao que respondia gentilmente: "Sim, bem como tenho força para colocar a 'boca no mundo' contra o preconceito e a ignorância, se necessário". Pois é, gente, é em nome disso que também escrevo nesse blog: tenham sensibilidade para lidar com a diferença, mas nunca preconceito. Pretendo escrever detalhadamente sobre isso, já que é muito sério.


Enfim, foi chegada a hora da cirurgia. Pessoas, é uma sensação de alívio e de apreensão que convivem simultaneamente. Alívio pela possibilidade de fim das dores. Apreensão, porque uma cirurgia é uma cirurgia, ainda mais com a característica de alta complexidade como a artroplastia. Tive que transfusionar dois dias depois! Vou falar sobre essa sensação na próxima mensagem, alertando para a importância de se doar sangue, a qual é uma questão ultra mega importante.


Enfim, hoje estou "engatinhando" na convivência com a prótese. Mas eu quero agradecer em primeiro lugar a Deus e à espiritualidade pelas múltiplas possibilidades que me auxiliaram a descobrir; à família, minha irmã querida Keke (AMO VOCÊ!), mãe (que além de mãe é enfermeira, fisioterapeuta), pai, cunhado, avós, destacando as Peruas Favoritas primas Débora (te amo, Perua!) e Bia (que no seu entender puro me fez sentir "do bem"); Denise, D. Dalva, Deise, amigas de todas as horas e de outras vidas...AMO VOCÊS; tia Su, Vevê, Tetella, tios Nelson e Marlene; primas e amigas Verinha, Lydia, Maria Luiza; Liana e Sr. Pettengil; Noemi, Thalita; aos amigos de todas as horas do CTI (o meu agradecimento sincero, com todo afeto!!!); às "psicos", companheiras de "infortúnio", dividiram tantas dores e alegrias ao longo de tantos anos de labuta; às amigas do serviço social, com quem estabeleci trocentos diálogos diários ao longo de todos esses anos de convívio (vocês sabem o significado de um trabalho interdisciplinar....um luxo na rede pública de saúde!); à turma do Frei Luiz, incansável nessa batalha comigo; ao Dr. Claudio Feitosa, extremamente humano e sensível, fez-me entender que a vida segue o seu curso normal, a despeito das restrições que a prótese impõe; Larissa Jansen, "Fênix sob corpo humano", guerreira, incansável nesse batalha para amenizar o sofrimento daqueles que padecem na fila por um transplante ósseo; a todos, todos (não gosto de colocar as coisas nominalmente, porque a gente sempre esquece alguém, mas se vc se sentiu assim, esquecido, saiba que lhe sou grata tb e que Deus lhe abençoe sempre!).


AMIGOS, MUUUUUUITO GRATAAAAAA!!!



Beijos estalados!!!


Alê

Retomando o blog

Galerinha Linda!!!

Pois é, gente, um ano de blog! Abandonei-o um pouco, é verdade, mas eu gostaria de retomá-lo e compartilhar novas idéias com vocês.
É, pessoas, infelizmente o "inspirador" deste blog mudou o plano da vida. Se vocês lerem uma postagem mais abaixo, José Saramago inspirou essa publicação. Deixo aqui o meu afeto por esse grande escritor e intelectual que soube ler a alma humana como poucos. Um grande psicanalista, sem ter a pretensão de sê-lo!
Volto para compartilhar com vocês a minha experiência com a artroplastia e fazer um apelo à doação de sangue, viu? Sejamos solidários, sempre!

Beijo imenso!